A grata surpresa de melhorar meu tempo após a menopausa
- 24 de mar.
- 2 min de leitura
Gabriela Tunes
Esse sábado foi assim. Cheguei cheia de pesos e arrastos, saí em nuvens e plumas. Não que eu tivesse expectativas com as provas de natação em si, mas fazê-las me motiva a treinar e me oferece estímulos para variar os treinos. A prova de 200m peito me forçou treinar esse estilo (podia ter me dedicado mais) e me apraz ter esse tipo de desafio. Mas a prova de 400m livre, de que eu não esperava nada, me deu a grata surpresa de melhorar meu tempo após a menopausa. Sei lá o que aconteceu. Talvez por não ter expectativa, tenha nadado melhor, mais com a cabeça do que com o fígado. Durante a prova, principalmente no final, vêm as dores. E, dessa vez, eu entendi que a dor que dói só na carne, nos ossos e nos pulmões é muito melhor porque ela passa. A dor que dói no ego não passa quando a prova acaba. Ela vai corroendo nossas melhores vontades, vai nos tornando cegas para aquilo que a gente mais ama que, no meu caso, é nadar. Eu, que nunca fui atleta, me deslumbrei depois de velha com minhas minúsculas vitórias, com as pequenezas que podem fazer a gente achar que é melhor do que alguma outra pessoa. Ninguém é. Tá bom, vai, talvez os grandes campeões o sejam. Eu não. O deslumbre com suas próprias vitórias tem sua contrapartida péssima: a amargura das suas próprias derrotas.
Mas ontem eu não estava esperando nem ganhar nem perder, só nadar por nadar. Pela primeira vez, não fiquei nervosa antes das provas. Teve uma hora que olhei ao redor e tudo e todos já me eram tão familiares e queridos que achei que esse nome - prova - já nem cabia muito bem no meu sentimento daquele contexto.
Com meu espírito na mais absoluta paz, eu apenas feliz por poder simplesmente me atirar na água e nadar, sem dores de alma, houve espaço e resistência para sentir e suportar as dores do corpo. Daí dei o máximo, eu acho, nos 400 livre. Os 200 peito foram mais cansados mas, mesmo assim, foi legal. Acho que deixei uma carga emocional pesada naquela piscina. Na volta para casa, o arco-íris abençoou.
🥇200 peito
🥉 400 livre
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Gabriela Tunes é mãe solo, servidora pública, nadadora, escritora, sonhadora e carregadora de água na peneira. Gabi é parceira da Terra Redonda Editora, autora da obra de ficção antimachista e antirracista mais relevante do nosso catálogo: "Bondade branca" (2024, Finalista do 2º Prêmio Candango de Literatura) É autora também do conto "A quarentena reversa", na coletânea "Contos da Quarentena" (2020); e dos livros "Máscaras no Varal" (2022, Finalista do Prêmio Marielle Franco de Ensaios Feministas de 2021), e "Tucanuçu" (2025).





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