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O Brasil é dos brasileiros!

Atualizado: 1 de ago.

Doralina Rodrigues Carvalho


Em 1929, o cartunista Theo já ilustrava a relação de vassalagem da extrema direita brasileira com o Tio Sam
Em 1929, o cartunista Theo já ilustrava a relação de vassalagem da extrema direita brasileira com o Tio Sam

A extrema direita é composta por criaturas bizarras que fogem a todo e qualquer gesto, atitude ou posição humanitária e democrática. Contribuir com a preservação do planeta terra e com a existência de seus habitantes humanos e não humanos - animais, águas, terra, ar, plantas - não faz parte de suas conveniências perniciosas. Suas ações macabras encontram ressonância em nosso país junto ao bolsonarismo desvairado e a agentes midiáticos e não midiáticos disfarçados de democratas e cidadãos de bem. Conseguem enganar a todos cada vez menos, mas ainda envenenam muitos corações e mentes que, equivocadamente, aceitam tanta mentira, falsidade religiosa e crueldade que lhes são passadas e as repassam adiante como verdades irrefutáveis.

 

Mas fatalistas não somos. Então, não estamos fadados a engolir essa gentalha goela abaixo. Não nos detemos passivamente ante os traidores da pátria, que torcem pelo recrudescimento do necrofascismo, hoje comandado em plano mundial pelo homem alaranjado. Este, com seus achaques de gangsterismo, à frente daquela que se considera a mais poderosa nação sobre a face da terra, fez da ameaça econômica e da chantagem política deslavada um modo de dominar o mundo. E, claro, não podemos nos esquecer de seu deleite especial: travestir-se no monarca policialesco mais poderoso do mundo, que exerce uma vigilância severa e sistemática sobre todos os países para que não fujam ao cumprimento de suas ordens.  Negocia com muitos desses países - com altos e vantajosos lucros para a indústria bélica do império - armas de altíssimo padrão tecnológico.

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Trocando em miúdos: estimular guerras é a sua maior especialidade. Condição que seu país obtém em processos de dominação política, ideológica e econômica de muitas nações de menor porte e poder. Israel é o crucial exemplo da vez. O homem alaranjado quer vencer o oponente, não por uma diplomacia sagaz e virtuosa, mas pela truculência verbal e pelo poderio bélico. Práticas diplomáticas transparentes que levem em conta o interesse recíproco das nações e convincentes argumentos éticos, não são a força motriz de suas relações internacionais. Apela para palavras malditas e mau ditas. Só verbaliza impropérios anti-democráticos desrespeitosos em relação à soberania dos diversos países. E pretende, fazendo caras feias e ameaçadoras, dobrar governos e povos. Mas, espere aí. Não percebi a China estremecer em momento algum, face às suas ameaças. Ao contrário, respondendo aos 10% de tarifas que lhe foram impostas no começo de fevereiro, Pequim retaliou com tarifas de 15% sobre o carvão e o gás natural liquefeito dos estadunidenses e outras de 10% sobre outros produtos: tarifa versus tarifa igualitária, para a China está tranquilo. É o famoso toma lá, dá cá. E aí o homem alaranjado amarelou.

 

Além de atacar vários países pelo mundo afora resolveu, sob o estímulo e vitimismo familiar hereditário do cognominado Eduardo Bananinha (não nos cabe entrar no mérito de tal apelido), o homem alaranjado resolveu taxar os produtos brasileiros com tarifa de 50%, caso Bolsonaro não seja anistiado, caso não se acabe com o PIX e caso o judiciário continue a legislar sobre áreas de sua inteira e total competência. Sem nenhum respeito às nossas instituições democráticas e à nossa condição de nação soberana, o desqualificado presidente norte-americano vociferou e rosnou ferozmente. Uma gosma viscosa, anti soberania nacional e devires democráticos do nosso país, escorreu por sua flácida mandíbula. Argh!

 

Aqui no Brasil sua taxação indevida levou a uma revolta geral do nosso povo - nas ruas, nas redes, na área cultural. Inúmeras músicas foram compostas e estão sendo cantadas país afora. O Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, enfrentou com altivez e autonomia tais ataques, não se curvando aos desaforos tarifários do desvairado homem alaranjado. Em suas palavras: “O Brasil segue disposto a negociar aspectos comerciais da relação com os Estados Unidos, mas não abrirá mão dos instrumentos de defesa do país previstos em sua legislação. Nossa economia está cada vez mais integrada aos principais mercados e parceiros internacionais”. Essa guerra econômica teve ressonância favorável, principalmente, junto aos extremistas de direita, aos bolsonaristas fanáticos, à Rede Globo, à CNN e junto a um pessoalzinho sem musculatura democrática e avesso à preservação da nossa soberania, que circula ali pela Faria Lima em São Paulo. Oxente! Que turma mais medrosa, conivente e obediente. Basta o império americano arreganhar os dentes e eles já se curvam reverentemente. São dominados por medos e assombros de virem a perder seus privilégios - podres poderes – econômicos, sociais e políticos. Há interesses inconfessáveis que os levam a essa postura de traidores da pátria.  Por fora bela viola, por dentro pão bolorento!

 

Talvez devêssemos reproduzir a malfadada fórmula medieval católica criada em 1415, encontrada na abadia beneditina da Baviera e usada na prática de exorcismo para, supostamente, repelir o diabo ou qualquer tentação maligna. Incontáveis, cruéis e desumanas perseguições foram desenvolvidas àquela época pela Inquisição ou Santo Ofício, para investigar e punir pessoas acusadas de heresia, blasfêmia e feitiçaria. A expressão caça às bruxas origina-se daí. As perseguições inquisitoriais contemporâneas, só para dar alguns exemplos, passam pelos países que praticam uma condição democrática e que não rezam pela cartilha do império americano; pelos ativistas ecológicos que sabem que a deterioração climática é coisa séria, que afeta o presente e o futuro da humanidade; pelo povo palestino que se vê massacrado, expulso de suas terras seculares e assassinado pelos desalmados mandos e desmandos belicosos de Netanyahu, com orientação e financiamento do homem alaranjado. O argumento de que a culpa é do Hamas não cola mais. O mundo inteiro percebe que matar crianças, mulheres e idosos pela força das armas ou pela fome já extrapolou, e muito, aquilo que se poderia considerar como um ato ”humano” minimamente aceitável. A não ser que o Hamas esteja agora recrutando bebês para suas fileiras!

 

Mas, vamos nos apropriar do mote dessa perseguição inquisitorial, vamos à fórmula. Em latim: Vade retro satanás! Em português: Afasta-te satanás! Vade retro demonstra repugnância, afastar algo ruim. Homem alaranjado, afasta-te de nosso país, de nossas vidas, da Palestina, da Ucrânia, de todo o mundo!  Encerre a sua briga com Elon Musk e peça-lhe uma carona em uma das naves espaciais da SpaceX. Pode ser a Starship, que é uma nave espacial de última geração e pretende levar cargas e pessoas para criar uma colônia de humanos em Marte. Você que tem a presunção de ser especialista em colonizar, aporte por lá e não volte nunca mais!!!

 

Sabemos que, nós brasileiros, estamos percorrendo um caminho tortuoso. Após o impeachment da Presidente Dilma Rousseff, durante o governo Temer e no governo Bolsonaro, enfrentamos fortes reveses no plano das práticas democráticas. Neste período mais recente do governo Lula contamos com uma crescente participação da sociedade civil, com um executivo irmanado às necessidades populares, com um judiciário atuante, em particular o STF, com destaque especial do Ministro Alexandre de Moraes, que desmascarou e esmiuçou as diversas faces da tentativa de golpe de estado em 8 de janeiro de 2023. O homem alaranjado agora quer impor ao nosso Ministro Alexandre a lei Magnitsky que visa atingir os que violam os direitos humanos. Que farsa é esta? É uma piada de muitíssimo mau gosto?! Aquele que invade países como o Irã, em data recente; financia genocídios como o massacre do povo palestino; é acusado de pedofilia praticada junto com o amiguinho de longa data Jeffrey Epstein; acusado por suborno para tentar silenciar a atriz pornô Stormy Daniels com quem teve um caso, está tentando enganar a quem? Nós, também, já o conhecemos de longa data.

 

Em plano internacional, o Brasil alinhou-se ao BRICS, que desenha um novo mapa econômico no mundo, em que os iguais estreitam suas relações e saem da condição de reféns dos Estados Unidos. Enquanto isso a economia americana definha, sua desindustrialização avança e o dólar se desestabiliza, enfraquece. Uma mudança geopolítica já está em curso. Enquanto isso o Brasil e outros países que lhe são próximos, tentam criar uma frente de defesa da América Latina, que se oponha à condição de quintal dos Estados Unidos. Face à firmeza e patriotismo do presidente Lula e do nosso povo mostrando que o Brasil é dos brasileiros, o homem alaranjado já arregou: metade dos produtos brasileiros não vão mais ser taxados em 50%. Como diz a música: fascista aqui não se cria.

 

O judas brasileiro Eduardo Bolsonaro não teve sucesso em seus intentos – não haverá anistia, seu pai será condenado e ele cassado por seus atos de traição à pátria. Mas acabou ajudando o governo americano com seu estímulo ao tarifaço do mal. Prejudicando, assim, empresas do nosso país que podem fechar, trabalhadores que poderão perder os seus empregos e o dinheiro do contribuinte que será usado para aplacar as consequências desta taxação. Ainda que minguada, prejudicará o nosso país. A extrema direita só está querendo livrar a sua cara.  Sua ameaça não foi de todo afastada e continua atuando, como ratos fugidios, na calada da noite e nos corredores do congresso. A família Bolsonaro só defende a si mesma. Não defende as famílias brasileiras. Os bolsonaristas estão obcecados no combate ao Ministro Alexandre de Morais que os julga e condena, com justeza e precisão democrática. Golpistas, também, não se criam mais em nosso país.


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Doralina Rodrigues Carvalho é mestre em Psicologia Clínica pela (PUC-SP), professora do Centro de Filosofia do Instituto Sedes Sapientiae - SP, coordenadora do Instituto Candeias, terapeuta e supervisora clínica, e autora do livro Vestígios do mundo e da vida contemporânea, recém lançado pela Terra Redonda Editora.

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