“Kaly e a Cabaça (Kaly ku Kabas)”, livro de Ramiro Naka, o Rei do Guimbé, chega ao Brasil
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Atualizado: há 20 horas
Ramiro Naka é músico, compositor, intérprete, ator, escritor e artista plástico guineense, conhecido em muitas paragens como o Rei do Gumbé. É um dos personagens mais emblemáticas da cultura da Guiné-Bissau e um dos principais embaixadores do ritmo gumbé no cenário internacional, principalmente na França, em Portugal e no Brasil.
Ramiro recebeu, dia 18/06/2026, em Salvador (BA), uma placa de homenagem da Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (UNIULAB) que traz gravado o texto:
“NHU REY D NGUMBÉ
Ramiro Naka: Educador do Ritmo, Guardião da Memória
Pela dedicação incansável em traduzir a alma de Guiné-Bissau para o mundo e por guiar os passos da juventude guineense através da arte. O seu legado kriolo não está apenas na história; pulsa no peito de cada jovem que aprendeu com você a ter orgulho de suas raízes.
Campus dos Malês da UNILAB
Com profundo reconhecimento,
18 de junho de 2026
UNILAB”
O gumbé - do qual Ramiro é “rei” - nomeia um ritmo tradicional guineense baseado em tambores e dança. Ramiro Naka fundiu essa base tradicional com diversas influências de outros povos, como a herança colonial portuguesa, a fraternidade brasileira e ritmos caribenhos, misturando elementos de fado, rumba, salsa e blues. Ele costuma definir os guineenses como os "latinos da África" e busca, por meio da música, conectar a força da tradição africana a outros estilos lusófonos e internacionais.
Naka começou a cantar ainda jovem. Antes de consolidar sua carreira solo, fez parte do grupo Panterra Guineus e, depois, foi convidado a integrar o icônico grupo musical N'Kassa Cobra, que marcou época na cena musical da Guiné-Bissau.
Com uma carreira longa e baseada principalmente na França e Portugal, sua discografia inclui álbuns e faixas notáveis como: Gumbe Blues Kreol, Les mots français, African N'deu, Yemanja e Orixa (em colaboração com Giba Gonçalves), Tchon Tchoman (com regravação recente em parceria com o grupo Tabanka Djaz)
Além do trabalho estritamente musical, Ramiro Naka é reconhecido como um artista plural. Entre outras artes atua como ator (creditado em produções cinematográficas como Po di Sangui / Tree of Blood, Franck Spadone e Minha Voz / My Voice), contador de histórias (focado na tradição oral) e pintor.
No Brasil, Ramiro Naka radicou-se em Salvador, Bahia, cidade onde encontrou um espelho de sua ancestralidade. A forte ligação histórica e cultural da capital baiana com a África facilitou sua integração. Ele se apresenta não apenas como músico, mas como um griô moderno, compartilhando as tradições e histórias do seu povo através de espetáculos e vivências. Criou o projeto Nakasadarte, reunindo artistas da Guiné-Bissau, Brasil, Cabo Verde e Angola, com a proposta de fortalecer os intercâmbios culturais lusófonos. Sua ligação com o Brasil não é apenas musical. Ele costuma apresentar a cultura guineense em escolas, bibliotecas, festivais e eventos culturais, defendendo a ideia de uma comunidade cultural lusófona que une África e Brasil.
Sua passagem pelo circuito cultural brasileiro inclui shows, concertos e oficinas. Ele já realizou apresentações marcantes em centros culturais nordestinos. Em suas performances, utiliza sua famosa guitarra "Klyn Klyn" (com afinação e timbres especiais de som) e canta em diversos idiomas — como o crioulo guineense, português, francês e dialetos locais (mandinga, fula).
Kaly ku Kabas
O livro “Kaly ku Kabas” está sendo lançado no Brasil numa coedição da Terra Redonda com as editoras da obra original: Nimba Edições, Corubal (Cooperativa de Produção e Divulgação Cultural e Científica na Guiné-Bissau), e AEGUI (Associação de Escritores da Guiné-Bissau).
É um livro bilíngue, em português e criolo guineense, que reúne 22 pinturas de Ramiro Kaba, entremeadas por um pequeno conto em que ele narra a história de Kaly, um menino órfão que vive no deserto e encontra duas cabaças cheias de sementes e inicia uma longa viagem em busca dos segredos da natureza. Pelo caminho, Kaly descobre a importância da cabaça na vida das comunidades, aprende com diferentes pessoas e compreende o valor da cultura, da partilha e da sabedoria ancestral. Uma história sensível e inspiradora, que celebra as tradições da Guiné-Bissau e a capacidade de aprender com o mundo à nossa volta.





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