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“sobre vivências – saudações à militância” propõe reflexão sobre memória, resistência e identidade

  • há 4 dias
  • 3 min de leitura

Em março, a Livraria Martins Fontes, na Avenida Paulista, foi palco do lançamento de “sobre vivências – saudações à militância”, livro de Douglas Gerson Braga, publicado pela Terra Redonda Editora. A obra, que levou 7 anos para ser concluída, se apresenta como um romance de autoficção que entrelaça memória, política e

subjetividade.


Mais do que uma narrativa literária, o livro se posiciona como um manifesto de

resistência democrática. Sua origem remonta a outubro de 2018, período

marcado por tensões políticas e ameaças às instituições no Brasil. Foi nesse

contexto que o autor sentiu a necessidade de registrar experiências e reflexões

que dialogam diretamente com a trajetória da militância política no país.


Ao longo de suas 474 páginas, Douglas Gerson Braga revisita vivências pessoais e

coletivas, destacando a importância da memória histórica — especialmente no

que se refere aos 21 anos de ditadura militar — como ferramenta de formação

para novas gerações. A obra, no entanto, não se limita ao campo político.


Em um mergulho profundo de autoanálise, o autor aborda temas íntimos e

sensíveis, como a homoafetividade e os impactos da epidemia de Aids em sua

vida, antes do advento dos tratamentos modernos.


A escrita surge, assim, como um processo de autoconhecimento e reconciliação

com conflitos internos. Mediada pela ficção, evita o formato tradicional das

autobiografias, optando por uma linguagem híbrida em que realidade e ficção se

entrelaçam com liberdade estética.


O autor


Douglas Gerson Braga nasceu em Taquaritinga-SP, em agosto de 1954. Iniciou sua

militância política na adolescência. Formou-se em Direito na USP, em 1979, e

especializou-se em Direito do Trabalho e Seguro Social. É servidor público federal

aposentado. Militou no movimento estudantil e nos movimentos sociais e

sindical, entre os anos 1970 e 1990. Assessorou o Sindicato dos Bancários de São

Paulo e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), atuando inclusive na sua

fundação. Pela Central, participou dos trabalhos da Assembleia Nacional

Constituinte e representou os trabalhadores no Conselho Curador do FGTS, em

dois mandatos. Entre outras publicações, é autor do livro “Conflitos, Eficiência e

Democracia na Gestão Pública” (Editora Fiocruz, 1998).


Serviço


Douglas Gerson Braga


Trechos do livro


“Em uma confluência de tempos e sentidos, ao lado das prospecções de seu

passado, Dante acessava, no presente, novas abordagens filosóficas. Atualizando a

pauta dos valores e dos costumes, confrontava moralismos e conservadorismos

dominantes em sua vida. A absorção fluía no ambiente profissional e se fortalecia no

convívio com pessoas sensíveis e imunes a preconceitos.

Esse novo cenário o levara a escarafunchar seus conflitos, aguçara sua

consciência crítica e traduzira suas ambivalências em inapeláveis questionamentos:

como sustentar um discurso cujo epicentro era o conceito de ‘homem novo’, extraído

do marxismo, se fugia constantemente de si próprio? O ‘homem novo’ – aquele que

produz, domina e transforma a própria vida, segundo suas necessidades e condições

históricas – não caberia em um protótipo como ele. Como falar do ‘homem livre’, se

havia confinado sua mais íntima e profunda liberdade, aprisionando afetos e desejos

sob preconceitos e autorrepressão?

Dante mergulhara sua vida afetiva em um calabouço murado de contradições.

E chegara a hora de romper as grilhetas, a essa altura, uma necessidade

impostergável: aos vinte e seis anos, após mais de um ano da leitura do mapa, era um

jovem adulto experimentado nos desafios da vida, mas que jamais vivera uma

experiência amorosa ou sequer erótica.”


***


“Presentes no Colégio Sion, em São Paulo, para a assinatura da ata de

fundação, Dante e os amigos do GI compartilharam valiosas companhias:

sindicalistas e militantes das oposições sindicais; lideranças populares e integrantes

das Comunidades Eclesiais de Base e da Pastoral Operária; pessoas comprometidas

com os movimentos por moradia, transporte coletivo, saúde e educação pública;

lideranças do movimento estudantil e representantes da sociedade civil; ex-exilados

políticos, profissionais liberais, jornalistas, intelectuais e artistas, incansáveis

parceiros a cerrarem fileiras ao lado dos trabalhadores na luta democrática.

A fila para referendar a fundação do PT representava um pequeno recorte de

um grande instrumento transformador, constituído pela energia de movimentos até

então fragmentados e dispersos. Uma usina catalisadora do acúmulo gerado por

aquele imenso trabalho realizado passo a passo, dia após dia, ano a ano, de sindicato

em sindicato, de porta em porta, de tijolo a tijolo nas periferias e nos bairros pobres

das cidades.

Oficializou-se, na solenidade do Colégio Sion, um partido político a serviço da

luta pela igualdade social e pela democracia participativa, autenticamente popular e

verdadeiramente democrático, fruto do empenho das bases e da militância, forjado

nas lutas populares e sindicais.”

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