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Bondade branca

Gabriela Tunes


Meu primeiro romance, chamado “Bondade Branca”, eu o submeti ao Prêmio Carolina Maria de Jesus, do @minc . Levei nota 24 de 30. Não ganhei o prêmio, e achei que não fosse bom, mas, conforme fui vendo a repercussão, percebi que foi ótimo. Várias escritoras com mais de um livro publicado estão comemorando desempenhos semelhantes ao meu.


Ou seja, estou feliz com motivos para isso.


O @sergioalli1 , da @terraredondaeditora , confirmou que o resultado foi excelente, e já combinamos de lançar o livro em março, pela Terra Redonda, essa editora que me apoia tanto e me enche de orgulho. 🌎🌏🌍


Meu livro é uma história que se dá por sobre as cruéis relações inter-raciais que estruturam nossa sociedade brasileira. Eu queria mostrar o sofrimento das mães dos detentos do sistema prisional, que eu vi de perto em 5 anos de trabalho na Comissão de Direitos Humanos; e eu queria falar do trabalho doméstico como o resquício escravocrata inaceitável que segue sendo reproduzido; e queria falar do banditismo da classe média que é sempre disfarçado. Fiz tudo isso. Eu tinha toda a liberdade para criar, então fiz um livro com uma grande heroína, sua gente linda, e vários vilões. Foi de propósito que minha Lucila é uma heroína. Eu sei que o maniqueísmo do bem contra o mal é criticado como talvez simplista quando explorado em textos literários. Mas a literatura está cheia de heróis homens brancos, que só têm qualidades e virtudes. Então, quando chega a vez da heroína ser a mulher preta brasileira, aí é feio criar heróis na literatura porque ser humano é ter um monte de defeitos. Então, fodacy, eu quis que ela fosse heroína perfeita, sagaz, gênia e maravilhosa. Projetei nela o que vejo em e desejo para tantas mulheres negras que merecem muito mais do que recebem.


Mas meu livro, a despeito de ter uma heroína negra, é sobre a branquitude, porque é nela que mora o racismo. E, se toda a literatura é um pouco autobiográfica, meu livro é também. Só que, no caso, minha gente branca de onde eu vim são (somos) os vilões da história. Não foi fácil fazer esse desnudamento dos nossos valores cínicos e racistas, da nossa bondade branca. Mas está aí. Espero que leiam, espero que gostem.


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Gabriela Tunes é escritora, musicista, nadadora e consultora legislativa na Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal. É autora do livro "Máscaras no Varal" e do conto A quarentena reversa, publicado na coletânea "Contos da Quarentena", ambos à venda no site da Terra Redonda.

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