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13 anos de Lula e Dilma: a história da transformação do Brasil

Um balanço bastante minucioso do quanto o Brasil avançou


Cristina Serra


Este livro de Sérgio Alli conta a história da transformação do Brasil durante os 13 anos em que o país foi governado pelo Partido dos Trabalhadores, por meio de uma abundância de informações, números e gráficos. “13 anos de Lula e Dilma” traz um balanço bastante minucioso do quanto o Brasil avançou no sentido de possibilitar um grau até então inédito de mobilidade social das camadas mais pobres da população.

A decisão política de enfrentar a exclusão social levou à aplicação de uma série de programas bem articulados em educação, saúde e assistência social, com impacto profundo nas famílias de baixa renda. O esforço para oferecer o acesso universal à Educação, os investimentos e a ampliação da rede de ensino público abriram os portões das universidades a milhões de jovens que conseguiram romper o ciclo de reprodução da pobreza a que pareciam condenados ao nascer, por sua condição de classe ou pela cor da pele (ou ambas).


A inclusão pela educação foi mais do que reparação histórica. Foi parte de um projeto estratégico de desenvolvimento que se propôs a combater uma posição secular de subalternidade. As iniciativas em educação somaram-se a outros esforços, sendo o mais marcante deles o combate à fome, que levou a Organização das Nações Unidas a tirar o Brasil do Mapa da Fome, em 2014. Os investimentos e programas em Saúde, moradia, a ampliação do acesso à água e ao fornecimento de energia levaram a resultados auspiciosos, como a redução da mortalidade infantil, o controle de epidemias e a erradicação de doenças.


O Brasil buscava acertar as contas com o passado e apontava para um futuro em que a democracia deixaria de ser um conceito abstrato e se traduziria na melhora concreta e palpável da vida dos cidadãos. Os índices de emprego e renda permitiam ter esperanças em um país mais justo, com igualdade de oportunidades, onde o crescimento econômico resultaria em bem-estar para toda a sociedade.

O livro traz ainda uma retrospectiva importante nas áreas econômica, de defesa, meio ambiente e política externa, apontando o começo da articulação do Sul global, retomada no terceiro mandato de Lula.


Muito mais ainda estava por ser feito quando veio a crise que desembocou no golpe contra a presidenta Dilma Rousseff, afastada de seu mandato sem crime de responsabilidade, no turbilhão do massacre judicial-midiático da Lava Jato e das pautas bomba de Eduardo Cunha.


Cristina Serra no lançamento em Porto Alegre de seu livro mais novo, dia 20/10.

Temer promoveu um desmonte feroz de políticas públicas e de direitos trabalhistas e vendeu o pré-sal na bacia das almas. O golpe se desdobrou no caldeirão da antipolítica, que levaria um extremista de direita ao poder e o ultraliberalismo ao comando da agenda econômica. Foram 4 anos de pesadelo, agravados exponencialmente pela pandemia do Covid-19. O Palácio do Planalto conduziu a crise sanitária com ímpeto genocida enquanto tramava um golpe contra a democracia, em molde miliciano, por dentro do aparelho de Estado.


Como tudo isso pôde acontecer depois de um período tão promissor para o Brasil? E como o país conseguiu resistir a tudo isso, confirmou seu compromisso com a democracia e trouxe Lula de volta ao poder? O livro não tem uma resposta fechada para essas questões. O autor – quadro histórico do partido - propõe uma reflexão crítica sobre o período petista simultaneamente ao reconhecimento das conquistas que alcançou enquanto esteve no poder.


Minha convicção é que o país mudou para melhor na era petista e a leitura do livro de Sérgio Alli reforça meu ponto de vista. A ascensão pela educação mostrou que é um caminho de efeitos duradouros. Grupos sociais saíram da invisibilidade e fortaleceram-se. Foi ressaltada a relevância do Estado como indutor de processos positivos de transformação social e econômica. Esta base resistiu às tentativas de desmonte do pacto constitucional de 1988 tentado nos últimos anos pela aliança entre a direita, a extrema-direita e os setores mais fisiológicos representados no Congresso.


O Brasil de 2023 está diante de uma nova chance. A tarefa de construir um país nunca termina. Será obra de gerações preencher o nosso abismo de desigualdades e enfrentar conflitos até agora apenas contornados. Com Lula de volta podemos reatar o fio rompido da História e cicatrizar este país em carne viva.


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Cristina Serra, nascida em Belém do Pará, é jornalista formada pela Universidade Federal Fluminense. Repórter de primeira grandeza, trabalhou na TV Globo e em alguns dos principais jornais do país. É autora, dentre outros, dos livros “Tragédia em Mariana: a história do maior desastre ambiental do Brasil” (Record, 2018) e “Nós, sobreviventes do ódio” (Máquina de Livros, 2023).

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