O leitor tem nas mãos a notícia de vida do militante da Ação Popular – AP, Ricardo de Azevedo. Um testemunho para perdurar. E que, espero, estimule outros. Não necessariamente pelo registro em si, mas pela integridade do compromisso de vida com a transformação revolucionária da sociedade
brasileira, visível ao longo dos atribulados caminhos que percorreu. Perceptível por aquele instinto sagrado que guia alguns militantes e dirigentes políticos nas horas em que é preciso manter-se numa posição e nas horas em que é preciso mudar de posição para manter-se no caminho. E não se render à acomodação. Um testemunho que em muitos aspectos, encarna a trajetória de uma geração embora, admitamos, seja fugaz o contorno de uma geração... Comove, a nós que a vivemos, e a quem se aproximar da experiência narrada por Ricardo de Azevedo nessas páginas, dois aspectos, de início: a generosidade da juventude brasileira daqueles anos e a espantosa inconsciência das dimensões da catástrofe que se abatera sobre o país com o golpe de Estado de 1º de abril. Pedro Tierra, poeta, foi secretário de Cultura do Distrito Federal.
A conquista da sobrevivência é, talvez, o aspecto mais constante do testemunho contido no volume que o leitor tem em mãos. Como assinala o título, bem escolhido por sinal – Por um triz, memórias de um militante da AP –, o autor escapa como que por milagre diversas vezes de ser morto ou profundamente danificado pelas sevícias a que por certo seria submetido caso tivesse sido apanhado. Durante doze anos engajado em construir a Ação Popular (AP), partido de extrema-esquerda originário da Igreja Católica, Azevedo correu riscos incríveis, dos quais saiu ileso apenas por obra apenas da sorte que o protegeu nos inúmeros episódios aqui esmiuçados. Enquanto a repressão ia dizimando sem piedade a AP, um pequeníssimo grupo de militantes conseguiu ficar de pé, “com um certo sentimento de culpa por estar vivo”, conforme registra a escrita direta e objetiva que marca o estilo das páginas a seguir.
André Singer, jornalista e professor de Ciência Política na FFLCH/USP.
Formato: 16 x 23 cm.
264 páginas
Confira uma amostra do livro no link: POR UM TRIZ

