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dentro (clara clarice)

Pronunciados dentro de si antes de dar-se ao papel, os poemas de Clara Clarice, face a face com suas monotipias, coexistem como expressão de um desejo íntimo a procura de forma. Como se do excesso da vida sobreviesse uma lassitude, essencialmente na ambitude de sua poesia, capaz de circunscrever a potência espontânea das palavras que se achegam em versos.
O caos, mágico-simbólico, é “ponto cantado” sob o nome de inspiração. Dela, uma série de vinte e duas monotipias dançam círculos, criam espaços extrínsecos de guarda à sua sensibilidade. Retrato lírico da artista? Sim, a visada lírica alimenta sua atual produção. De tudo a tudo, vê-se que pensamentos e sentimentos íntimos se insinuam por toda parte, pululam da cabeça às mãos. Mais, vê-se que a relação entre o dentro e o fora devém, na obra de Clara Clarice, de um movimento ininterrupto que figura sua existência. Desatada da ordem que orienta o cosmos, a artista deseja o vazio primordial, o ilimitado da criação. Para a artista, o caos se põe à intervenção.
E então, desselada do selo do real, Clara Clarice pergunta-se: “qual a razão dessa vida desajeitada? [...] está a fera guardada? ou quimera de uma época passada?” Se força de destruição ou potência vital de outrora? A escolha não a persuade. Não há subordinação, há imbricação. Aqui, “desejo voar”, diz ela.
Como tal, arte e poesia escapam das projeções celestes e colocam o dedo na ferida do mundo. Elas escancaram, no cruzamento dos tempos, o aniquilamento da experiência vivida. Libertas de uma linguagem de significantes, suas fronteiras tornam-se fluidas. É desse modo que Clara Clarice, ao utilizar-se da triangulação entre a arte e a poesia, traça uma cercania fecunda. Expressão dialogal que dá, a tal empreitada, uma espécie de encadeamento experiencial. Como tal, arte e poesia dão a ver “dentro, mini poemas para o caos”.

Ana Westphal, setembro de 2025.
 

dentro (clara clarice)

SKU: 9786551410086
R$ 50,00Preço
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  • Clara Clarice, ainda criança, deu seus primeiros passos em um ateliê de pintura. Cresceu na intimidade da arte, de seus conceitos e procedimentos.
    Desde seus desenhos infantis, a organização e o uso compositivo da cor marcam presença. A prática da criação se deu de forma intermitente, até se tornar constante, há dez anos, quando passou a desenvolver trabalhos de criação digital.
    Em 2023, voltou às técnicas no papel, e as obras dessa produção tocam diversos imaginários, dando a cada tema caráter próprio. Fundem-se, em seu processo de criação, iconografia, cromática e improvisação. Sua poesia, qual irmã mais nova, completa e transforma esse fazer simbólico. 

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