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As inquietas irmãs libanesas

"Só se supera o poder do tempo com lembranças!", elas dizem.


Luciano Mendes de Faria, no Instagram.


Outro dia, ganhei da minha amiga Samira Zaidan o livro que ela escreveu junto com suas irmãs Amira e Sumaia Zandan. Colega de universidade de Samira há várias décadas, estava muito querendo ler o livro; e o li em duas pegadas!


"Inquietas" (Terra Redonda, 2022), a começar pelo nome da própria editora (!!!), é um livro de combate... contra o esquecimento. São crônicas memorialísticas, ou nem tanto, como dizem as próprias escritoras, que nos permitem entrar no universo da cultura e das famílias libanesas radicadas no Brasil (ou mais especificamente, em Minas Gerais) na primeira metade do século XX e que aqui criaram raízes.


Das autoras, a "irmã mais velha" formou-se em pedagogia, mas não seguiu viagem; "a outra irmã" cursou matemática e teve longa carreira universitária; e "a irmã mais nova" formou-se em engenharia e trabalhou décadas no ofício. E as crônicas, ao mesmo tempo que refletem estes caminhos distintos tomados na vida adulta, nos permitem vislumbrar flashes ou cenas inteiras dos modos, dos casos e casamentos vividos, ou ouvidos, pelas três irmãs ao longa da infância e da juventude também.


São crônicas da saudade, mas não são de nostalgia ou melancolia. São lembranças que evocam tempos distintos, relatam cenas hilárias e tristes e nos transportam, por vezes, para os terríveis "anos de chumbo" e suas consequências no âmbito da família e do país.


Amira, Samira e Sumaia pagam tributo, claro, à cultura libanesa em que foram criadas - e que dão continuidade. Mas, altivas, não deixam de dizer das dificuldades e interdições que essa mesma cultura impõe, sobretudo às mulheres. Por isso mesmo, o conjunto das crônicas "Inquietas", que as inquietas irmãs libanesas nos apresentam, exalam alegria e jovialidade, cumplicidade fraterna e madura amizade, e um modo de viver e dizer da vida que nos seduz como leitores e viventes!


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Luciano Mendes é professor da UFMG, escritor e participante do Portal do Bicentenário e do Pensar a Educação Pensar o Brasil 1822/2022.

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